sábado, 21 de março de 2009

O Império Português e a Concorrençia Internacional

INTRODUÇÃO:

Neste trabalho vamos voltar a estudar os impérios português, espanhol, holandês e inglês. Vamos também relembrar a crise que Portugal atravessou com a União Ibérica, que depois veio desenrolar na revolução de 1640. Vamos estudar as três grandes potências europeias e o seu desenvolvimento.

Com a morte de D. Sebastião, que não deixou descendência Portugal atravessou uma grave crise economica e política, enquanto Espanha se tornava uma das grandes potências durante o século XVI. Mais tarde a Holanda veio introduzir um novo conceito: maré liberum. E depois a Inglaterra entrou também na competição marítima e colonial e decretou o acto de navegação de 1651.

OS IMPÉRIOS PORTUGUÊS E ESPANHOL

O Império Português em Crise

Os navios e os territórios que os portugueses dominaram eram sucessivamente atacados pelos muçulmanos, entre outros povos. Os naufrágios e os ataques dos corsários faziam com que houvesse enormes perdas de vida, navios e mercadorias. Os naufrágios eram provocados muitas vezes pelo excesso de carga.

Mas no séc. XVI a situação agravou-se:

· Concorrência comercial dos muçulmanos, franceses, holandeses e ingleses

· As rotas do levante ganharam força e levavam consigo toneladas de especiarias para a Europa. Fazendo concorrência à rota do Cabo

· Devido ao prejuízo da rota, os reis portugueses tiveram que se endividar perante os bancos estrangeiros

· O império português era muito vasto e disperso dificultando a sua defesa e controlo

O Apogeu do Império Espanhol

Na 2ª metade do séc. XVI Espanha tornou-se a maior potência europeia.

Ao mesmo tempo que o rei Filipe II subira ao trono, este controlou vários países, como Países Baixos, Milão, Nápoles, Sicília e Portugal, já em 1580.

Para além de ter um império colonial, Espanha detinha o monopólio dos mares e ainda enormes quantidades de ouro e de prata. Toda esta riqueza reflectiu-se nas artes, na corte e no poder militar. Este período, séc. XVI, foi designado por século de ouro, el siglo de oro, da Espanha.

Filipe II tentou impor a hegemonia[1] e supremacia do Catolicismo. Porém não conseguiu evitar a independência dos Países Baixos, nem dominar a Inglaterra.

A UNIÃO IBÉRICA

A Crise Política em Portugal

Como o comércio do Oriente estava em crise, Portugal começou a defender o império do Norte de África. Assim, em 1578, D. Sebastião à frente de um exército desembarcou em Marrocos, e foi na Batalha de Alcácer Quibir que Portugal teve uma grande derrota e na qual o rei português viria a desaparecer.

Com este desaparecimento veio instalar-se em Portugal uma grave crise política, pois D. Sebastião não tinha filhos nem o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que lhe sucedeu.

Aparecendo vários pretendentes ao trono português, que eram netos de D. Manuel I: Filipe II, rei de Espanha; D. Catarina, duquesa de Bragança e D. António, prior do Crato e filho ilegítimo de D. Luís.

A Luta pelo Poder

Os vários apoiantes de Filipe II foram: a nobreza, porque a união com Espanha garantia a segurança dos domínios orientais e recebiam recompensas em troca do serviço prestado; a burguesia pelo poder de comerciar com a América espanhola.

As classes populares apoiavam o prior do Crato.

Quando o Cardeal D. Henrique morreu, em 1580, Filipe II para impor os seus direitos ao trono enviou tropas para o Portugal, vencendo D. António na Batalha de Alcântara.

O Domínio Filipino

Em 1581, nas cortes de Tomar, Filipe II é aclamado rei de Portugal. Portugal e Espanha são considerados Estados independentes, unidos e sob a chefia do mesmo soberano. Nas cortes de Tomar Filipe I, de Portugal, jurou manter a autonomia de Portugal, respeitar os suas tradições: moeda, língua e costumes; manter e defender o império colonial português; prometeu que só os portugueses podiam navegar nos seus territórios e que nomeava apenas portugueses para os cargos governativos. Este período ficou designado por União Ibérica.

As primeiras décadas do domínio filipino Portugal beneficiou de uma administração equilibrada, mas mais tarde veio a sofrer graves problemas devido à União Ibérica.

O PODER POLÍTICO DA HOLANDA

Uma república de mercadores

No final do século XVI, os países do Norte do Europa nomeadamente as Províncias Unidas( a região dos países baixos), formaram uma república independente em 1581, entrando abertamente em luta contra a política Espanhola, que queria o controlo exclusivo dos mares e seu comércio.

Os habitantes das Províncias Unidas sendo a Holanda a províncias mais próspera, dedicavam-se na maioria ao comércio e à construção naval, desta forma tinha grandes navios que lhes proporcionaram ser os intermediários do comércio europeu.

Uma burguesia prospera e austera

Nas cidades holandesas, desenvolveu-se uma burguesia activa, desperta para os negócios. Esta burguesia na maioria era protestante e tinha hábitos simples e austeros. A sua tolerância política e religiosa atraiu à Holanda vários capitalistas estrangeiros, muitos judeus.

No início do século XVII, dispondo de vasto capital fundou-se, na Holanda, poderosas companhias de comércio.

A luta pela liberdade dos mares

Com as companhias de comércio holandesas o monopólio marítimo dos países ibéricos foi quebrado. Desta forma foi criado um novo conceito: mare liberum , que era defendido por um jurista holandês, que consista em que qualquer nação tinha direito a navegar livremente até ao continente Africano, Asiático e Americano.

Estas fundaram feitorias, fazendo com que os Portugueses desocupassem pontos estratégicos. Na Ásia fixaram-se no arquipélago indonésio, em Ceilão, em Malaca e no Japão, em África fixaram-se em S. Jorge da Mina e América ocupou o nordeste brasileiro. Desta forma controlou a rota do cabo e fornecedora dos seus produtos( sedas, chás e especiarias).

Assim os Holandeses, durante o século XVII, mantiveram a hegemonia nos mares.

O IMPÉRIO INGLÊS

As origens do Império Inglês

Os Ingleses também entraram na competição marítima e colonial. Assim ainda no reinado da rainha Isabel I os navios e os portos ibéricos passaram a ser atacados. A um destes ataques respondeu Filipe II com a Armada Invencível em 1588, em que foi derrotada.

Com o triunfo sob a Espanha, os ingleses fundaram companhias de comércio, como a companhia das Índias Orientais em que no século XVII passou a disputar com Portugal e com a Holanda as especiarias.

Além das Antilhas e do Golfo da Guiné, os Ingleses ocuparam a América do Norte. Foram emigrantes que fugiam às perseguições políticas e religiosas foram fixar-se o Novo mundo, onde formaram as treze colónias.

O duelo anglo-holandês

Entretanto, tornava-se importante enfrentar a hegemonia comercial holandesa. Por essa razão, em 1651 um governador Inglês( Cromwel) decretou o Acto de Navegação de 1651: em que nenhum navio estrangeiro podia transportar para a Inglaterra senão as mercadorias produzidas no seu país de origem. O Acto de Navegação obrigou os burgueses a investir na construção naval. A única maneira de os ingleses obterem os produtos coloniais(matérias primas para as suas indústrias) era transportá-los em navios ingleses. Assim os ingleses tiveram de desenvolver a marinha mercante que levou a Inglaterra a ser considerada a rainha dos mares nos seguintes séculos.

A hegemonia marítima e colonial inglesa

No século XVIII, ocuparam na Índia, Bombaim, Madrasta e Calcutá. Na América do Norte, as colónias prosperaram e depois de vencer a França na Guerra dos Sete Anos, em 1763 obtendo territórios como o Canadá.

Com o dinamismo da burguesia e a nobreza fizeram que Londres fosse o maior entreposto do comércio mundial.

O CAPITALISMO COMERCIAL

Expansão comercial e capitalismo

Com o alargamento da expansão colonial o volume de mercadorias orientais que circulavam na rota do Cabo aumentou. Mercadorias como: as especiarias, as sedas, as porcelanas, bem como, o chá e tecidos de algodão indianos (mas só a partir do século XVIII).

Os comerciantes europeus desenvolveram no Atlântico, um tráfego triangular no qual, os comerciantes europeus a troco de produtos de pequeno valor, iam buscar a África, a mão – de – obra escrava. Essa mão – de – obra escrava era reencaminhada para as Américas. Tratava-se, portanto de um tráfego negreiro. Da América eram adquiridos metais preciosos, açúcar, tabaco e algodão. Com tantas trocas, os comerciantes podiam adquirir lucros, Lucros que, por sua vez, eram investidos em novos negócios que dão ainda mais lucros. Com tantos lucros, é possível uma acumulação de capital. É criada então, pela burguesia mercantil do Norte da Europa um novo conceito de mentalidade capitalista. É formado um novo sistema de económico – o capitalismo: sistema económico baseado na acumulação de capitais, que podem ser investidas para produzir rendimentos.

Companhias de comércio, bancos e bolsas de valores

Tal como os holandeses e os ingleses, a maior parte dos países da Europa fundaram companhias de comércio. As companhias de comércio eram sociedades formadas com as capitais de muitos accionistas. Accionistas esses que, eram privilégios do Estado.

Foram por isso, desenvolvidos instituições financeiras: os baços e as bolsas de valores.

Os bancos recebiam depósitos de negociantes de todo o mundo, que confiavam o dinheiro ao banco para este liquidar ou ajustar os seus pagamentos.

As bolsas de valores eram mercados onde se negociavam acções das companhias e outros valores. Foi então possível, a circulação de capitais., dinamizando a participação do público nas actividades financeiras.

Acções são documentos que representam uma fracção do capital de uma sociedade.

A ECONOMIA ATLÂNTICA

A viragem atlântica

Embora Portugal continua-se a ser, no século XVI, uma importante potência colonial o comércio do Oriente, agravava-se pois os portugueses dedicaram-se à exploração dos territórios de S. Tomé e do Brasil, ou seja, territórios atlânticos que pertenciam aos portugueses.

O crescimento do Brasil

No Brasil, devido aos inúmeros colonos, estabeleciam-se extensas plantações de cana – de – açúcar e engenhos. Os engenhos eram instalações com aparelhos apropriados para moer a cana e fabricar o açúcar.

As tentativas dos colonos de tentar escravizar os Índios, deram origem à oposição dos Jesuítas. Estes por sua vez protegiam os Índios em aldeamentos (agrupamento de aldeias, dirigido pelos Jesuítas, onde estes podiam impor-lhes hábitos de trabalho).

O interior brasileiro atraiu muitos europeus. Por esse motivo, criaram-se as bandeiras – expedições de colonos que partiam para o interior armados e levando geralmente uma bandeira. Essas expedições tinham como objectivo encontrar os Índios e descobrir ouro e pedras preciosas.

Os bandeirantes, ao percorrerem quase todo o território brasileiro, contribuíram para a delimitação das fronteiras dos países.

A PROSPERIDADE DOS TRÁFEGOS ATLÂNTICOS

De África para Portugal e para o Brasil eram exportados muitos escravos. Em troca, África recebia aguardente, panos ou utensílios de metal. Para a metrópole, vindo do Brasil, chegavam o açúcar e o tabaco. O factor que ligou Portugal, o Brasil e o litoral africano foi o comércio triangular que se baseava, principalmente no tráfico negreiro e nos produtos tropicais brasileiros.

Por este motivo é que, a burguesia mercantil era muito desenvolvida, tanto em Lisboa como noutros portos portugueses.

Lisboa, em 1620, era uma das maiores cidades da Europa pois, nela encontravam-se 165 mil habitantes.

A RESTAURAÇÃO

As Repercussões da Crise Espanhol

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)[2] e os combates maritimos e coloniais ram alguns problemas que Espanha enfrentava e que Portugal também sentia.

Os inimigos da Espanha eram também inimigos de Portugal. Os ingleses e holandeses começavam a controlar os territórios do Oriente e fixaram-se no Nordeste do Brasil:

1624 à Salvador da Baía

1630 à Recife e Olinda, regiões onde é abundante o açúcar

Um Descontentamento Generalizado

Em 1637 começavam a surgir motins por todo o país. Todas as classes estavam descontentes: a burguesia estava a perder o controlo do tráfego do açúcar; os impostos aumentaram fazendo com que o povo entrasse em revolta e os nobres viam assim o fim do império filipino e o desinteresse de Filipe IV pelos assuntos portugueses. As revoltas ainda iam ser mais quando é afirmado que Portugal ia passar a ser uma província espanhola e que muitos nobres tinham de ir combater para a Catalunha.

A Revolução de 1640

Com a ajuda dos inimigos de Espanha – França e Inglaterra – devido à cedência portuguesa de Bombaim e Tânger, os nobres reorganizaram o exército e a defesa e venceram os espanhóis nas batalhas de Linhas de Elvas, Ameixial e Montes Claro. Espanha encontrava-se na Guerra dos Trinta Anos que também ajudou os portugueses a vencerem.

A revolução deu-se no dia 1 de Dezembro de 1640 e D.João IV, oitavo duque de Bragança, foi aclamado rei de Portugal.

Porugal também consigo restaurar o poder atlântico português na Angola e no Brasil, devido à intervenção dos colonos brasileiros.

CRONOLOGIA:

-1578: Batalha de Alcácer Quibir, desaparecimento de D. Sebastião, morto certamente em combate mas cujo corpo jamais será encontrado. D. Sebastião não deixa descendência e o Cardeal D. Henrique, seu tio-avô, sobe ao trono.

-1579: Morte de Luís de Camões.

-1580: Morre o Cardeal D. Henrique. Em Alcântara, D. António, Prior do Crato, pretendente ao trono, é derrotado pelas tropas de Filipe II de Castela e Portugal perde a independência.

-1581: Nas Cortes de Tomar, Filipe I jura manter a autonomia de Portugal dentro da União Ibérica.

-1598: Filipe II sobe ao trono; irá tomar medidas que porão em causa a autonomia de Portugal dentro da União Ibérica. Em consequência, o sebastianismo, messianismo ou ideologia saudosista, irá alastrar entre os portugueses.

-1614: Extinção do Conselho da Índia.

-1621: Filipe III sobe ao trono e entrega a governação da União Ibérica ao conde-duque de Olivares que passa a tratar Portugal como outra província espanhola e não mais como Reino integrado, porém autónomo.

-1630: No Brasil, os Holandeses conquistam Olinda e Recife.

-1633: Desaparece a Companhia de Comércio da Índia Oriental.

-1637: Aumento de impostos, alterações de Évora, revolta do Manuelinho que alastra por todo o Alentejo e Algarve.

-1638: O duque de Medina-Sidónia ocupa o Algarve, o duque de Bejar ocupa o Alentejo e assim é sufocada a revolta do Manuelinho.

-1640: A 1 de Dezembro é restaurada a independência de Portugal.

OS METAIS PRECIOSOS DA AMÉRICA ESPANHOLA

As descobertas americanas de 1492-1531 reforçaram Sevilha como eixo do afluxo na Europa dos metais preciosos. A descoberta das minas de Potosí em 1545 e a extracção do mineral por meio da amálgama de mercúrio. De 5 508 711 pesos num período de cinco anos entre 1546 e 1550 as importações subiram para 11 906 609 de 1571 e 1575, para depois entre 1591 a 1595 subir até 35 184 862 pesos. Senso assim o inicio do grande auge espanhol.

Em troca das barras de metais preciosos, de pele, açúcar e tintura, os espanhóis davam azeite e vinho de Andaluzia, tecidos de lã e seda de Toledo, Cuenca, Múrcia e Granada, os utensílios de ferro do país e mercúrio de Almadén.

Todas as importações deveriam ser registadas na Casa de Contratación de Sevilha.

OLIVER CROMWELL

(Huntingdon, 1599 - Londres, 1658)

Político inglês. De formação puritana, inicia a sua carreira política em 1628 como membro do Parlamento. Durante a guerra civil dos anos 40 forma um exército revolucionário oposto ao absolutismo. Em 1648 depura o Parlamento e consegue a condenação à morte de Carlos I (1649) e a proclamação da República (Commonwealth). Usa de todos os meios do poder e é ditador virtual da Grã-Bretanha. Incorpora a Irlanda e a Escócia, dissolve o Parlamento (1653) e proclama-se Lorde Protector. O novo regime regressa aos princípios de governo moderados. A sua política assegura a prosperidade da burguesia mercantil de Londres. Mas o regime sustenta-se basicamente graças à sua figura, pelo que à sua morte se reinstala a monarquia na pessoa de Carlos II.

CONCLUSÃO:

Esperemos que com este trabalho e as imagens que apresentámos as dúvidas tenham sido esclarecidas e compreendidas. Também que tenham compreendido porque é que Espanha, Holanda e Inglaterra se tornaram grandes potências europeias e como a união europeia favoreceu e prejudicou Portugal, por fim como este conseguiu voltar a controlar algumas colónias que possuía antes da União Ibérica.


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